terça-feira, 27 de abril de 2010

" MEU PRIMEIRO AMOR "

      Abri a janela e um caminhão de mudança estava na rua decima da viela, eram os novos moradores.
    Fiquei ali para ver a mudança quando derrepente um garotinho, quase da mesma idade q a minha, um pouco mais velho, pouco coisa( eu estava com 9 anos ) ele deveria estar com 10...11...
    Ele descia as escadas paralelas a viela com algumas roupas nos braços, qdo eu o vi derrepente meu coração disparou....fiquei encantanda c o q via...ele era lindo...parecia um anjo.
    Tinha cabelos escuros todo encaracolados, olhos negros,um sorriso lindo q me presenteou e q nunca vou esquecer, fiquei completamente paralisada com tal beleza e encantada com ele e com o sorriso q ganhei dele mas infelizmente tudo estava predestinado a dar errado desde o inicio.
     Ele entrou e saiu para pegar mais coisas no caminhão, antes de continuar subindo deu uma olhadinha pra mim e piscou( depois vi q esse tipo de comportamento era uma caracteristica dele p com todas do sexo feminino rs...) começou cedo o garoto.
     Pena q nesse segunda x inicio o erro....agora ele vinha com almofadas nos braços e derrepente escorregou nos degraus da escadas, eu não consegui segurar e cai na gargalhada, desde esse dia eu havia perdido meu primeiro grande amor e ao mesmo tempo aprendido o qto é amargo o sabor do despreso e o peso da minha deficiencia.
     O nome dele era Marquinho e ficou irado com a minha gargalhada, em silencio travado ele pegou as almofadas do chão, levou uma bronca do pai e entrou p dentro mas não sem me dar um olhar gelado e de aviso q agora ele era meu inimigo.
     Infelizmente os meus sentimentos por ele não era de inimigo mas sim de amor e sofri muito com esse sentimento e paguei caro pela gargalhada.
     Fiz de tudo p q minha mãe fizesse amizade c a mãe dele e ela assim o fez até q eu consegui entrar na casa dele, fomos convidados a entrar na sala, minha mãe conversava com a mãe dele até q ela o chamou no quarto p apresentar os vizinhos.
     Ele veio juntamente com a irmã mais velha q era uma simpatia, se apresentaram mas qdo ele foi pegar na minha mão ...deu um sorriso e virou as costas.....saiu da sala...todos ficaram constrangidos mas eu fiquei mais ainda, só senti minha face arder...e como.

" O MISTERIOSO SER " HUMANO "

      A novela da globo colocou a atriz Natalia do vale p representar exatamente o q se passa na cabeça de muitas pessoas com relação aos deficientes de modo geral.
     Na verdade rs...muitas x eu tenho vontade de entrar na telinha e enforcar a personagem rs...esqueço que ela esta ali representando e muito bem o pensamento de boa parte da sociedade mas tudo o q ela fala e pensa, em tempos passados eram mais gritantes e agressivos.
     Por experiencia própria tenho recordações tristes de alguns momentos da infancia q me marcaram muito mas não culpo as pessoas da época pq a sociedade é seletiva e sempre foi assim, as pessoas foram criadas assim, foram criadas para receber as pessoas perfeitas e o q é a perfeição? perfeição é tudo aquilo q vc vê e se vc vê uma pessoa q não tem perna, não tem braço, anda meio torto...etc...enfim...tem alguma coisa diferente da anatomia corporal esqueletica, essa pessoa já foge dos padrões da perfeição humana, ela não anda normalmente, esta faltando um membro dela então ela esta fora dos padrões de beleza dos outros e fomos criados a admirar o belo e não o diferente, não importa se ele " belo " é uma pessoa pervertida, maldosa, criminosa,invejosa, cruel o q importa é q ela esta dentro dos padrões da normalidade humana ou seja, ela(e) tem braços, pernas, olhos, etc...ela é normal.
      Voltando um pouco ao passado...uma criança que é feliz mas anda se arrastando pelo chão para não limitar sua vida, não ficar fora das brincadeiras e dos coleguinhas, ela(e) não é bem vista perante a sociedade.
      Apelidos são dados....minhoca.....cobrinha.....sapo.....sentopéia...sujeirinha....cascão....nossa rs...intermináveis apelidos....mas a felicidade não é vista pelas pessoas, somente os defeitos, o exemplo de vida não é visto pelas pessoas, somente os defeitos, deformidades.
      A infancia me apresentou uma gde amiga(pelo menos pra mim rs...) eu me apaixonei por essa amiga e ela também gostava de mim mas existia o fator " familia " e no caso era a familia dela.
      Nos divertiamos muito, andavamos pelo bairro, iamos nas casas de outros coleguinhas, passeavamos muito mas eu estava terminantemente proibida de entrar na sua casa pq não podia sujar o chão afinal eu andava com trapos de roupas, meus sapatos eram sujos e furados, minhas mãos eram nojentas pq viviam no chão.
     Engraçado q eu nem percebia q era vista assim rs....eu acreditava q era tão bela qto minha amiguinha e ela era bela.
     Sempre muito bem arrumadinha nos seus vestidinhos, cheirosa,parecia uma bonequinha e eu acreditava q era tão bela qto ela rs....
      A tristesa vinha qdo chovia e estavamos brincando no porão da casa dela, a mãe dela chamava a mesma para entrar e falava p q ela me mandasse para casa, subiamos uma escada com mais de 10 degraus, ela com guarda-chuva e eu..........na chuva rs...
      A mãe dela apressava sua entrada e falava p ela me mandar embora mas ela não podia ficar  ou me acompanhar até a saida então eu ia embora, nas poças d'agua, molhando toda minha calça, roupa....
      Olhava para trás e via q ela me observava muito triste pelo vitro da cozinha, queria me ajudar mas se o fizesse apanharia da mãe.
      Na verdade eu não ligava de ir para casa na chuva, me molhar, passar no barro q tinha nas ruas, chegava em casa, tomava banho e trocava de roupa, estava pronta para esperar a chuva passar e voltar para casa da minha gde amiga e voltar a brincar.
      Tinha gde dificuldade em entender pq tanta repulsa da familia dela e isso me fazia sempre voltar e chama-la para brincar.
       Ela não era impedida de brincar comigo mas não podia me levar para dentro de casa, no máximo no quintal e no porão.
       A casa dela era muito diferente da minha, grande, bonita, tinha cheirinho gostoso, diferente da minha.
       Minha casa era enorme mas meu pai não tinha dinheiro para reforma-la, viviamos das vendas de salgadinhos, meu pai saia pela madrugada para vender os salgados nas portas das fabricas e qdo chegava ainda ia para o bar q tinha pertinho de casa.
      Eu passei a me agarrar cada x mais a essa coleguinha, tinhamos a mesma idade e eu tinha uma verdadeira idolatria por ela.
      Nossos pais se falavam mas de modo estranho, não entendia bem pq e tudo piorou qdo minha mãe me colocou na escola, na mesma sala dela e a mãe dela pediu p a diretora tira-la da sala pq não queria q eu atrapalhasse sua filha, eu poderia ficar pedindo favores, pedindo p q ela me levasse para fora da sala já q brincavamos juntas, nos conheciamos, enfim...a mãe dela temia q eu atrapalhasse os estudos da filha e assim foi feito, fomos separadas da sala de aula mas fora dela, continuavamos brincando.
     Recordo um fato muito interessante rs....como brincavamos muito tempo, chegava a hora do almoço a mãe dela chamava p almoçar, eu gostava daquele ritual q lavar as mãos q ela fazia, oração a mesa e familia reunida, na minha não dava para fazer pq minha mãe tinha mais seis filhos, a casa para cuidar, salgadinhos para fazer, costurar para fora, cantina para cuidar enfim....tudo q atrapalhava ela de estabelecer regras de horarios para almoço, janta...ela vivia correndo atras dos meus irmãos pelas ruas procurando leva-los para casa, estudar, médicos e cada um ia para um lado, minha mãe sofria muito e teve uma vida muito dura então eu procurava não dar mais trabalho e vivia na minha, procurando minha independencia.
      Voltando rs..........minha coleguinha ia almoçar....ela pedia p q eu ficasse na porta da cozinha q ela me traria um pratinho com comida, eu ficava toda feliz, iria almoçar com minha melhor amiga.
      Eu não ficava triste não com a situação de ter q almoçar na porta, sempre tia a companhia da Keli, nós sempre almoçavamos juntas, cada um no seu pratinho....ha...vcs não sabem quem era a Keli...digo era pq ela já faleceu.
      Keli era a cachorrinha dela, sempre me fazia companhia nas refeições na porta.
      Novamente falo...não condeno ninguém apenas tenho pena da visão q a sociedade fazia e faz até hoje das pessoas q tem algum tipo de deficiencia, algum tipo de anomalia, algum tipo de alguma coisa q aos olhos dos outros..............SÃO DIFERENTES.
      Quando os pais dela saiam ela me convidava para entrar....nossaaaaaaaaaaaaa eu me sentia Alice no pais das maravilhas rs...........
       A casa dela era linda, o chão brilhava, tudo era muito perfumado, diferente da minha casa q cheirava gordura rs....o quarto dela então...era de uma princesa.
      O quarto da minha casa eram dois, um era dos meus pais e ali dormia eu, minha irmã do meio e minha irmã mais velha, no outro quarto ficavam meus outros três irmãos e era a maior bagunça rs...era beliche e eles faziam guerra de travesseiros, um derrubava o outro da beliche de cima rs.............mas na casa da minha amiga não se podia fazer isso, a irmã dela dormia em outro quarto e tudo era impecável, nada podia sair do lugar nem mesmo os brinquedos dela podia ser tocado, tinham q ficar na prateleira, lembro q tentei passar a mão no vestido de uma linda boneca e ela gritou, ficou palida, disse q não poderia tocar em nada e pediu p q eu saisse imediatamente da casa antes q alguem chegasse mas foi tarde demais rs....
      O carro parou na rua e não demorou muito a mãe dela estava na porta da cozinha, onde estavamos saindo e demos de cara com ela juntamente com a tia dela que ficou indignada com o q via.
      Agarrou ela pelas orelhas e a levou p dentro, eu fiquei de fora só esperando rs....não demorou muito e ela voltou falando q não podia brincar mais e q era p eu ir embora.
      Fiquei triste...ela estava chorando mas eu tinha q ir....subi mais 10 degraus q tinha na parte superior da casa dela e q levava para rua, ali ao lado, havia um pedaço do terreno do meu pai e dava para ver tudo dentro da casa dela, eu vi ela passando pano na cozinha e ouvi a tia dela falando..............
       - Limpa tudo mesmo e bem limpinho, isso é pra vc aprender a não trazer mais essa menina para dentro de casa, já falamos p vc q ela é suja, sabe-se onde ela se arrasta, q doença tem, aquelas roupas toda sujas, rasgadas e as mãos dela então? imundas....toca toda sujeira da rua, sabe-se q microbios tem e o q ela pode deixar aqui dentro.
      Se eu falar para vcs q tudo q a tia dela falou não me atingil vcs acreditam? eu estava com dó da minha coleguinha q apanhou e ainda teve q lavar a casa por minha culpa.
      Essa travessura custou para ela uma semana trancada em casa sem poder brincar na rua com ninguém, fiquei com dó dela e tudo era culpa minha, eu q queria conhecer a casa dela, eu q havia pedido para entrar.
      Meus pais nunca souberam disso e na verdade ninguém soube disso, essa é a primeira x que estou falando o fato.
      O tempo passou e voltamos a brincar mas nunca mais entrei na casa dela porém continuei contanto c a bondade deles, podia almoçar na porta da cozinha com minha coleguinha Keli rs....ha...também podia assistir TV na porta da sala, minha amiga ficava sentada no sofá e eu com a Keli na porta, não podia entrar pq sujaria o carpete caro.
     Fomos crescendo, nos tornando adolescentes, meninas bonitas, vaidosas.
     Um dia chegou um novo morador na viela onde eu morava, a casa da nova familia ficava de frente com a dela mas na viela q eu morava.
     Nunca mais vou esquecer o dia q ele chegou...foi muito divertido e ao mesmo tempo mágico e inesquecivel.
     Esse dia foi especial...sabem p q ? foi o dia que conheci meu primeiro amor.

" MEMÓRIAS "

      Não sei precisar por quantos hospitais passei mas pode acreditar....foram vários e em cada um deles ficou uma marca, uma recordação, uma ferida.
      Os hospitais não foram os únicos que me deixaram feridas não, a falta de humanidade das pessoas também colaboraram muito para uma péssima recordação.
      A luta que minha mãe enfrentou para que eu entrasse na escola não foi brincadeira, tudo pq eu não andava e isso era inaceitável para uma escola na época.
      Depois de várias tentativas minha mãe conseguiu uma vaga pra mim na primeira série mas somente pq a secretária da escola interferil junto a diretora e a convencel a me dar a oportunidade de estudar mas com regras impostas pela diretora.
      Enqto eu estivesse na escola minha mãe também teria que estar para o caso de eu querer ir ao banheiro, comer na hora do recreio e outros emprevistos.
      Minha mãe largou a casa para ficar sentada no pátio da escola durante todo o tempo de aula, meus pais vendiam salgadinhos para viver e a presença da minha mae em casa era imprencindivel mas por amor a mim e dedicação, ela ficou na escola, sem falar dos demais irmãos q ela deixava em casa sozinhos para me acompanhar.
      Com o tempo a direção da escola foi vendo que a situação não era tão dramática assim, minha mãe me pediu p segurar as necessidades biologicas e aprendi a segurar e só fazer qdo voltasse para casa ou antes de sair de casa, na hora do recreio todos saiam para o pátio e eu ficava sozinha na sala comendo minha merenda e vendo pela porta as crianças correndo e brincando no pátio.
      Ninguém da escola vinha me pegar pq tinham medo de me machucar ao pegar no colo e na época eu não tinha cadeira de rodas, não tinha dinheiro para comprar uma mas eu me acostumei a situação, o q eu queria mesmo era estudar e estava ali.
      Quando saia da escola, era só o tempo de trocar de roupa e ir para a rua brincar, eu aproveitei minha infancia, disso não posso reclamar.

sexta-feira, 5 de março de 2010

" EU RECORDO........

      Enquanto eu era pequena, minhas recordações vinham do q eu ouvia dos meus pais depois...um hospital aqui e outro ali começaram a ficar na memória.
      Havia um hospital de freiras...vc chegava na frente...minha mãe falava c uma moça e ela pediu p q entrasse.
      Era um corredor bonito, cheio de flores depois uma varanda gde com piso frio, vermelho....brilhante...muito gostoso até eu saber que ali ficaria um bom tempo.......aquele local era um HOSPITAL.

" RECORDAÇÕES DA INFANCIA "

      Sinto muita saudade da minha amoreira rs....eu tinha uma agilidade tão grande em subir nela...certo que havia um banco de madeira próximo a ela mas mesmo para subir nesse banco enorme de madeira, era preciso muita agilidade.
      Também não era somente nisso não...logo abaixo da amoreira havia uma valeta enorme, era um barranco que meu pai tinha cavado p ampliar a casa mas nunca teve tempo de terminar então ficou essa morre mais tarde ele levantou um muro próximo desse morro para não haver desabamento e era nesse muro estreito que eu subia para chegar ao telhado da casa, de lá poderia se ter uma vista linda da cidade lá embaixo mas também...quando meu pai desconfiava que eu estava lá em cima ...aiiiiiii.......era surra na certa rs.....
      Em cima da laje....ele havia aberto um buraco...um deles deixava livre a area de serviço la embaixo....outra ficava sobre a cozinha, mais exatamente sobre a pia da cozinha e para que não molhasse c a chuva, ele construiu um tipo de casinha coberta e no meio dessa casinha, um pouco abaixo, havia uma barra de cimento estreita que eu adorava ficar pendurada quando chovia ou qdo queria ouvir as conversas da minha casa sem que ninguém me visse rs...
     Vcs acreditam q um dia eu me desafiei e me joguei lá decima? rs....cai sertinho sobre a pia e ñ doeu muito meu bumbum não kkkk.......mas foi só de uma x....rs.
     Voltando a minha querida amoreira......eu ficava bastante tempo lá e decima eu via as crianças indo para a escola e me deu muita vontade de ir para a escola também, comecei a pedir para minha mãe uma escola e ai começou outro problema.
     Eu ainda tinha que voltar para São Paulo, as cirurgias ñ tinham terminado ou os sonhos da minha mãe e as minhas de andar...ainda não tinha acabado mas mesmo assim eu queria estudar.
     Minha mãe primeiro para a escola que ficava ali mesmo pertinho de casa mas a direção da escola disse que por hora não dava para eu estudar, era melhor que primeiro eu terminasse mais minhas idas para os hospitais de SP p depois pegar firme na escola.
     Minha mãe entendeu mas eu não...fiquei muito triste mas logo eu estava de volta para SP e para as cirurgias.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

" COMO A INFANCIA É MARAVILHOSA "

    Eu estava com sete anos...nossa como eu era peralta rs....

   Quando o sol nascia eu arregalava os olhos(tenho olhos grandes e expressivos até hoje) minha atenção estava voltada para a fresta da janela, quando via o sol...meu coração disparava de alegria, eu teria um dia cheio de aventuras e travessuras rs....

  Se minha mãe ñ me segura, eu levanto da cama e corro para rua do modo como havia acordado rs...

  A polio ainda ñ havia me dado o direito de voltar a andar(esperança muito cultivada pela minha familia) eu nem ligava rs...já estava acostumada a me jogar no chão, cruzar as pernas, me arrastar, brincar muito e ñ ter limites para nada rs....mas meus pais ñ perdiam a esperança de ver sua filha andando.

  Minhas mãos eram grossas, os calos eram enormes de tanto arrastar no chão, meus sapatos viviam rasgando e a calça também( no bumbum rs ) mas qdo isso acontecia na rua....eu.....imediatamente.......CONTINUAVA A BRINCAR KKKKKKKKKKK......não podia perder tempo voltando para casa p trocar de roupas rs........

  Eu brincava com todos....brincava com os meninos de carrinho, era uma delicia, jogavamos bola, apertavamos a campanhia da casa dos outros....
  Um dia eu entrei pelo cano com essa brincadeira, os meninos falaram que agora era a minha x de apertar a campanhia de uma determinada casa que por acaso era amiga da minha rs....

  Eu fiquei com receio não pelo fato dela ser amiga da minha mãe mas pq ali tinha cachorro bravo rs....
  Não tive como fugir, todos já haviam apertado a campanhia de outras casas e agora era a minha x...rs....
  No grupo eu não era diferente para ninguém, nunca me perguntaram pq eu andava me arrastando pelo chão, o que eu tinha, p q eu não ficava de pé...eu era tão comum a eles .......dispensava perguntas.

  Bom...voltando ao caso sério da casa rs....
  Eu me aproximei da casa, o portão era meio coberto por flores e bem devagar eu apertei a campanhia mas qdo fiz isso....derrepente aparecem na minha frente não só um enorme cachorro bravo mas como a dona da casa furiosa, correndo atras de mim.

   Eu corri e consegui me esconder no mato(onde moravamos ainda existiam árvores, matos...etc...) sorte minha.

   Depois todos riram de mim mas minha mãe não....qdo voltei para casa minha mãe estava furiosa e me deu boas palmadas, acho q as palmadas doeram mais do q meu bumbum arrastando no chão.

    Tempos passados rs.........eu voltei para a rua kkkk

    Não brincava somente com meninos, eu havia feito amizade com uma garota que morava pertinho da minha casa, ao lado, viramos grandes amigas mas eu não era muito querida pela famiilia dela.
    Quando dava eu corria para o portão da casa dela e ficamos ali brincando de bonecas, panelinhas, escolinha..etc....mas eu facilmente ficava enjoada pq tinha mania de correr, passar por situaçõs criticas rs....aventuras e ela também gostava disso mas os pais dela a controlavam muito.

    Os meninos passavam e me chamavam para brincar....agora eu havia inventado uma brincadeira legal....eu morava no meio de uma viela mas era ....A VIELA...rs......aquela bem enclinada e grande.
    Encontrei uma esteira do tamanho de um tapete então... q tal jogar areia na viela, subir na esteira e descer ???

    Loucura ? claro...muita loucura rs...mas na época eu não pensava assim e nem meus amiguinhos rs....

    Passamos a escorregar na viela para o terror da vizinhança q viviam falando para minha mãe que além do enorme barulho q faziamos, ainda tinha o risco enorme de um grave assidente.

    Minha mãe fez de tudo para que eu parase com aquela brincadeira, surra, castigo mas nada adiantou.....um belo dia eu coloquei  a esteira na viela e desci........uauuuuuuuuuuuuuuuuuu foi maravilhoso até que.....
    A esteira parou no caminho e eu ???? continuei escorregando kkkkkkkk
  
    Quando acordei estava deitada na cama, minha mãe me olhava aflita mas qdo acordei passou a me olhar com raiva.
    Coloquei a mão na cabeça...estava c curativo...sem falar nos arranhões.
    Foram muitos dias de brigas, ouvi da minha mãe até.....mas o q mais me doeu foi q ela sumiu c a esteira, fiz greve de fome p ver se ela me devolvia mas não deu certo, fiquei com febre mas também não deu certo até q desisti.

    Voltei a brincar na rua, ñ deixei de tocar campanhias rs....incrementei um pouco a brincadeira....arrumei um estilingue e passei a jogar pedras longens.
    Como eu morava numa viela a vista era muito legal, do quarto dos meus irmãos, eu subia na beliche e ficava na janela, dali eu jogava pedras nos vidros das casas vizinhas rs....( coisa feia !!!! ) mas pode acreditar...era muito divertido pena q tudo q é bom um dia acaba....sem querer eu errei a mira e joguei a pedra na vizinha próxima, ela estava me vendo e imediatamente correu até minha casa e......?
    Novamente muitos tapas no bumbum, castigo, brigas e....fiquei sem meu brinquedo.
   
    O lugar onde eu morava era delicioso, o terreno do meu pai era muito grande, tinha a casa que era enorme, subindo ...tinha um terreno onde ficava minha amiga...o pé de amora, meu pai havia plantado assim que soubera  da minha chegada, da gravidez da minha mãe.
    Quando eu estava triste...corria até ela, subia num banco enorme de madeira q ficava perto dela e desse banco eu me agarrava aos galhos da árvore e subia até sua copa...ali eu conversava com ela, chorava, ria e para variar....aprontava rs.....

    Eu gostava muito de jogar amora na cabeça das pessoas q passavam na viela, eles não me viam, a copa da árvore era muito fechada e eu ria muito mas também...qdo eles me viam...nossaaaaaaaaaaa....brigavam tanto comigo, eu ouvia cada uma sem falar qdo procuravam minha mãe......mas mesmo procurando ela, ali eu não saia pq ela não conseguia me pegar, subir na árvore, só conseguia me pegar qdo alguns dos meus irmãos estavam em casa, ai a coisa ficava feia.

    Minha amoreira era muito minha amiga, me fez muita companhia e ouviu muito de mim...se ela pudesse falar comigo hoje !!!

O DRAMA....

      Meus pais foram chamados a SP depois de alguns dias mas como a familia era grande, meu pai ficou com os pequenos e minha mãe foi para SP me visitar.

     Chegando na rodoviária minha mãe olha para todos os lados e ñ sabe q caminho tomar, pergunta aqui, pergunta ali...poucas pessoas falam, poucas pessoas ajudam ou dão informação corretas mas com a ajuda de Deus ela consegue chegar até o hospital.

     O coração veio a boca qdo vil sua filha ainda presa aquela bola de plastico, magrinha e tão solitária.

     Timidamente minha mãe passa um cavalinho inflável pela fresta da bolha chorando muito, coloca nas minhas mãos e começo a brincar.


     Segundo os médicos era necessário fazer uma cirurgia e minha mãe precisava dar autorização.

     A cirurgia era para ajudar, para que eu voltasse a andar, essa foi a única resposta que minha teve e com vontade de me levar de volta p casa, andando....minha mãe assina a autorização.

    Como minha mãe morava longe e ñ tinha condições financeiras para voltar no dia seguinte para acompanhar a cirurgia, os médicos falaram para que ela voltasse ao termino na cirurgia, quando já tivessem resposta da intervenção, eles ligariam avisando, meus pais ñ tinham telefone, iriam ligar para a vizinha.

   Muito triste ela teve q voltar para casa, o horário de visita havia terminado.


  Novamente o calafrio ao chegar na porta do hospital...como chegar a rodoviária?

  Pergunta-se aqui...ali....até que quando finalmente chega ao terminal rodoviário e vai comprar a passagem....sua bolsa havia sido roubada com todos os documentos....chorando muito, inconsolável, uma senhora se aproxima e paga sua passagem de volta além de fazer companhia p ouvir seu desabafo...e que desabafo......


  Essas foram apenas algumas das várias x que minha mãe foi para SP....eu passei por muitas cirurgias e nada.....não tinha nenhum progresso, os médicos me tiraram da solitária mas falavam que era necessária ainda outras cirurgias e por ai foi....anos e anos.....

  SETE ANOS......................................


 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SÃO PAULO.....GIGANTE, DESCONHECIDA E ASSUSTADORA.

       Meus pais não conheciam nada, chegaram no hospital e nem sabiam como entrar naquele prédio grande.

       Apresentaram a carta do Pediatra na recepção, ficaram esperando e derrepente surgiu uma mulher de branco, rosto bem fechado, se apresentou como sendo enfermeira do hospital  pediu que a acompanhasse.

       Entrar no elevador era uma tortura para minha mãe, ela não estava acostumada com aquela modernidade e só não desmaiou pq meu pai estava ao seu lado.

       Chegando ao destino, caminharam por um longo corredor e entraram numa sala toda branca onde fui colocada sobre uma cama e minha mãe orientada para tirar toda minha roupa, minha mãe tentava puxar conversa mas a moça parecia estar muita ocupada com seus pensamentos para querer conversa.

       Finalmente ela falou, disse q era para esperar que o médico logo chegaria.

       Não demorou e o médico chegou...parecia que ali ninguém gostava de conversar muito, o médico ñ falava nada, examinou e depois perguntou onde moravamos.

       Ele saiu e depois voltou com a enfermeira, a mesma me pegou nos braços sem roupa e caminharam por outro corredor até entrarem num quarto, segundo relato dos meus pais...ali havia uma cama envolvida por um enorme plastico e por uma fresta, fui colocada ali.

       Minha mãe entrou em desespero mas o médico disse que era necessário ficar ali, estava com uma doença que não era muito conhecida, estava atingindo muitas crianças e era necessário o isolamento.

       Orientou meus pais a voltarem para casa e como morávamos longe, eles ñ precisavam ficar preocupados que assim que tivessem noticias dos exames eles entrariam em contato.

       Minha mãe não se conformou em me deixar ali, perguntou se ñ iriam colocar a roupa em mim e a enfermeira disse que iria colocar a roupa do hospital, minha mãe não aguentava me ver ali chorando e ela disse que era assim mesmo, logo eu iria parar.

       Foi pedido para que eles se retirassem mas minha mãe estava irredutivel, pediu para me tocar antes de sair e teve a permissão de colocar a mão por uma fresta daquela bolha e me tocar....imagine como ficou o coração da minha mãe? imagine como foi ter que voltar para casa sem sua filha da qual protegeu tanto?

       Até hoje ela fala desse fato com muita dor no olhar....


      A volta para casa não foi fácil....ao sair do hospital meu pai passou mal mas foram embora para casa, não havia mais nada para fazer ali a não ser entregar sua filha nas mãos da medicina que iria cura-la ??? pelo menos essa era a esperança q nunca os abandonou.

INFORMAÇÕES/ RECORDAÇÕES DO PASSADO.

    Pela madrugada a febre foi almentando e veio o vomito, muito choro.
 
      A parteira foi chamada, foram feitos exames e ela disse que parecia " OLHO GORDO ".
    Para reverter isso, era necessário passar por benzedeira, indicou uma e imediatamente meus pais foram a procura.
    Segundo a benzedeira, o caso era de " BUCHO VIRADO " segundo vocabularios da época e para cura era necessário passar em seguida por mais sete benzedeiras, assim foi....por toda madrugada e por parte do dia.
     A medida que o tempo ia passando minha mãe foi notando que a febre não passava, que minhas pernas estavam moles, já não tinham a firmesa de antes e agora uma das mãos não segurava direito a chupeta.
     Esse quadro foi desesperador e resolveram parar de procurar benzedeiras e procurar o pediatra da cidade mas o problema era que a cidade era pequena e o pediatra não era fácil de se encontrar, ele estava sempre atendo casos graves nos domicílios, mesmo assim meus pais foram a sua procura e somente no final da tarde, na sua residencia ele foi encontrado e imediatamente atendeu meus pais e na sua própria casa me examinou.
     Fez muitos exames e finalmente veio a informação...
   
     Estava havendo uma epidemia na cidade de poliomielite, era um tipo de inflamação na medula espinhal e que estava avançando no meu caso, devido a isso estava havendo a falta de movimentos na minha perna pq ela já tinha atingido minhas duas pernas e estava indo para minhas mãos.
     O pediatra estava tentando explicar da melhor maneira possível para aqueles pais que estavam tão desesperados, ali na sua frente.
     Para evitar um quadro ainda pior, ele precisava da autirazação dos pais para aplicar uma injeção que ele acreditava inibir o avanço dessa inflamação...seria na base da confiança pois a injeção era experimental na cidade do interior.
     Querendo o melhor, claro para sua filha...imediatamente eles autorizaram a aplicação da injeção o q foi minha salvação e agradecimento eterno por esse médico que até hoje vive porém esta bem de idade e debilitado de saúde.
     Infelizmente a aplicação da injeção ñ resolveria tudo, seria necessário que eu fosse imediatamente para uma cidade com mais recursos e ele fez um encaminhamento de urgencia, pediu ambulancia e me mandou para São Paulo, para uma clinica que iria cuidar do caso mais atentamente e fazer exames mais apropriados.

    Iniciava ai uma nova etapa da minha vida.

UM ANO INESQUECÍVEL E CHEIO DE INTERROGAÇÕES.

   ...1969 ano em que eu nasci....filha de uma familia de pernambucanos q haviam vindo de seu local de origem para viver em SP em busca de uma vida melhor, com mais recursos porem  o destino os levam para o interior de SP onde ali existia trabalho para o chefe da familia caso contrário, todos passariam fome.
  Quando falo todos, me refiro ao gde número de filhos que minha mãe teve....mais exatamente 13 filhos.
   Desses 13 filhos.....7 vieram a falecer.
   Voltando a minha historia...eu nasci em casa, costume da época onde as parteiras trabalhavam muito e com minha mãe não foi diferente.
   Tudo correu muito bem, nasci com plena saúde e assim foi até os três meses.
   Minha mãe estava traumatisada com a morte dos filhos anteriores e decidiu que comigo seria diferente portante ela resolveu não me tirar do quarto até que eu ficasse mais grandinha, sua decisão era motivo de discussão entre o casal.
   O verão estava muito grande naquela época e naquele mês, meu pai saia para trabalhar e chegava no final da tarde, a primeira coisa que ele fazia ao chegar era correr para o quarto e me pegar no colo para brincar.
   Novamente discutia com a esposa pelo fato de deixar o bebê naquele quarto quente mas nada grave, tudo terminava ali mesmo pena que um dia as coisas foram diferentes.
   Era muito calor...como sempre meu pai chegava e corria p o quarto p me ver, eu estava no berço brincando com as perninhas( segundo relatos ).
   Era uma criança saudável e havia tomado as vacinas porém faltava uma a ser tomada a poucos dias.
   Como falava...naquela tarde estava um calor enorme e meu pai não aceitou o fato de eu estar trancada no quarto, imediatamente me tomou nos braços e se dirigiu p a porta.
   Vendo a decisão do marido, minha mãe se colocou na sua frente tentando impedir sua saida do quarto alegando que eu poderia ficar resfriada, doente...que ela temia muito ......ele sorriu, disse que era bobagem seu temor e mesmo sob seus protestos saiu p o quintal onde outros irmãos estavam brincando juntamente com outras crianças.
   Assim que ele passou pela porta eu espirrei para o desespero da minha mãe.
   Meu pai estava todo orgulhoso de estar lá fora com a filha no colo e vendo minha alegria e interesse por tudo q via, coloridos, pessoas se movimentando...para quem havia ficado dentro do quarto desde q havia nascido ????
   Finalmente...para o alivio da mãe, meu pai retornou para dentro, a tarde já estava acabando e vindo a escuridão.
   A rotina foi tomada, banho.....mamadeira e berço mas nada estava normal como os outros dias e logo isso seria bem visível.

   A criança do berço estava muito calada, molinha...não queria mamar e ficava chorando, incomodada.
   Sem saber o que era, foi tirado sua temperatura e constatato uma leve alteração de temperatura.
   Na mesma hora foi aplicado um remédio para febre e o soninho.
   Tudo parecia tranquilo até que a madrugada chegou....

   P q tudo de ruim acontece a noite ?
  

QUAL O PROPÓSITO DE NOSSAS VIDAS ?

     Eu não sei qual o propósito da minha vida em específico ou qual o propósito de nosso criador em minha vida mas acredito q tal....venha a existir e quem sabe escrevendo, compartilhando c vcs alguns momentos de vida possamos descobrir muitas coisas juntos.