terça-feira, 27 de abril de 2010

" MEU PRIMEIRO AMOR "

      Abri a janela e um caminhão de mudança estava na rua decima da viela, eram os novos moradores.
    Fiquei ali para ver a mudança quando derrepente um garotinho, quase da mesma idade q a minha, um pouco mais velho, pouco coisa( eu estava com 9 anos ) ele deveria estar com 10...11...
    Ele descia as escadas paralelas a viela com algumas roupas nos braços, qdo eu o vi derrepente meu coração disparou....fiquei encantanda c o q via...ele era lindo...parecia um anjo.
    Tinha cabelos escuros todo encaracolados, olhos negros,um sorriso lindo q me presenteou e q nunca vou esquecer, fiquei completamente paralisada com tal beleza e encantada com ele e com o sorriso q ganhei dele mas infelizmente tudo estava predestinado a dar errado desde o inicio.
     Ele entrou e saiu para pegar mais coisas no caminhão, antes de continuar subindo deu uma olhadinha pra mim e piscou( depois vi q esse tipo de comportamento era uma caracteristica dele p com todas do sexo feminino rs...) começou cedo o garoto.
     Pena q nesse segunda x inicio o erro....agora ele vinha com almofadas nos braços e derrepente escorregou nos degraus da escadas, eu não consegui segurar e cai na gargalhada, desde esse dia eu havia perdido meu primeiro grande amor e ao mesmo tempo aprendido o qto é amargo o sabor do despreso e o peso da minha deficiencia.
     O nome dele era Marquinho e ficou irado com a minha gargalhada, em silencio travado ele pegou as almofadas do chão, levou uma bronca do pai e entrou p dentro mas não sem me dar um olhar gelado e de aviso q agora ele era meu inimigo.
     Infelizmente os meus sentimentos por ele não era de inimigo mas sim de amor e sofri muito com esse sentimento e paguei caro pela gargalhada.
     Fiz de tudo p q minha mãe fizesse amizade c a mãe dele e ela assim o fez até q eu consegui entrar na casa dele, fomos convidados a entrar na sala, minha mãe conversava com a mãe dele até q ela o chamou no quarto p apresentar os vizinhos.
     Ele veio juntamente com a irmã mais velha q era uma simpatia, se apresentaram mas qdo ele foi pegar na minha mão ...deu um sorriso e virou as costas.....saiu da sala...todos ficaram constrangidos mas eu fiquei mais ainda, só senti minha face arder...e como.

" O MISTERIOSO SER " HUMANO "

      A novela da globo colocou a atriz Natalia do vale p representar exatamente o q se passa na cabeça de muitas pessoas com relação aos deficientes de modo geral.
     Na verdade rs...muitas x eu tenho vontade de entrar na telinha e enforcar a personagem rs...esqueço que ela esta ali representando e muito bem o pensamento de boa parte da sociedade mas tudo o q ela fala e pensa, em tempos passados eram mais gritantes e agressivos.
     Por experiencia própria tenho recordações tristes de alguns momentos da infancia q me marcaram muito mas não culpo as pessoas da época pq a sociedade é seletiva e sempre foi assim, as pessoas foram criadas assim, foram criadas para receber as pessoas perfeitas e o q é a perfeição? perfeição é tudo aquilo q vc vê e se vc vê uma pessoa q não tem perna, não tem braço, anda meio torto...etc...enfim...tem alguma coisa diferente da anatomia corporal esqueletica, essa pessoa já foge dos padrões da perfeição humana, ela não anda normalmente, esta faltando um membro dela então ela esta fora dos padrões de beleza dos outros e fomos criados a admirar o belo e não o diferente, não importa se ele " belo " é uma pessoa pervertida, maldosa, criminosa,invejosa, cruel o q importa é q ela esta dentro dos padrões da normalidade humana ou seja, ela(e) tem braços, pernas, olhos, etc...ela é normal.
      Voltando um pouco ao passado...uma criança que é feliz mas anda se arrastando pelo chão para não limitar sua vida, não ficar fora das brincadeiras e dos coleguinhas, ela(e) não é bem vista perante a sociedade.
      Apelidos são dados....minhoca.....cobrinha.....sapo.....sentopéia...sujeirinha....cascão....nossa rs...intermináveis apelidos....mas a felicidade não é vista pelas pessoas, somente os defeitos, o exemplo de vida não é visto pelas pessoas, somente os defeitos, deformidades.
      A infancia me apresentou uma gde amiga(pelo menos pra mim rs...) eu me apaixonei por essa amiga e ela também gostava de mim mas existia o fator " familia " e no caso era a familia dela.
      Nos divertiamos muito, andavamos pelo bairro, iamos nas casas de outros coleguinhas, passeavamos muito mas eu estava terminantemente proibida de entrar na sua casa pq não podia sujar o chão afinal eu andava com trapos de roupas, meus sapatos eram sujos e furados, minhas mãos eram nojentas pq viviam no chão.
     Engraçado q eu nem percebia q era vista assim rs....eu acreditava q era tão bela qto minha amiguinha e ela era bela.
     Sempre muito bem arrumadinha nos seus vestidinhos, cheirosa,parecia uma bonequinha e eu acreditava q era tão bela qto ela rs....
      A tristesa vinha qdo chovia e estavamos brincando no porão da casa dela, a mãe dela chamava a mesma para entrar e falava p q ela me mandasse para casa, subiamos uma escada com mais de 10 degraus, ela com guarda-chuva e eu..........na chuva rs...
      A mãe dela apressava sua entrada e falava p ela me mandar embora mas ela não podia ficar  ou me acompanhar até a saida então eu ia embora, nas poças d'agua, molhando toda minha calça, roupa....
      Olhava para trás e via q ela me observava muito triste pelo vitro da cozinha, queria me ajudar mas se o fizesse apanharia da mãe.
      Na verdade eu não ligava de ir para casa na chuva, me molhar, passar no barro q tinha nas ruas, chegava em casa, tomava banho e trocava de roupa, estava pronta para esperar a chuva passar e voltar para casa da minha gde amiga e voltar a brincar.
      Tinha gde dificuldade em entender pq tanta repulsa da familia dela e isso me fazia sempre voltar e chama-la para brincar.
       Ela não era impedida de brincar comigo mas não podia me levar para dentro de casa, no máximo no quintal e no porão.
       A casa dela era muito diferente da minha, grande, bonita, tinha cheirinho gostoso, diferente da minha.
       Minha casa era enorme mas meu pai não tinha dinheiro para reforma-la, viviamos das vendas de salgadinhos, meu pai saia pela madrugada para vender os salgados nas portas das fabricas e qdo chegava ainda ia para o bar q tinha pertinho de casa.
      Eu passei a me agarrar cada x mais a essa coleguinha, tinhamos a mesma idade e eu tinha uma verdadeira idolatria por ela.
      Nossos pais se falavam mas de modo estranho, não entendia bem pq e tudo piorou qdo minha mãe me colocou na escola, na mesma sala dela e a mãe dela pediu p a diretora tira-la da sala pq não queria q eu atrapalhasse sua filha, eu poderia ficar pedindo favores, pedindo p q ela me levasse para fora da sala já q brincavamos juntas, nos conheciamos, enfim...a mãe dela temia q eu atrapalhasse os estudos da filha e assim foi feito, fomos separadas da sala de aula mas fora dela, continuavamos brincando.
     Recordo um fato muito interessante rs....como brincavamos muito tempo, chegava a hora do almoço a mãe dela chamava p almoçar, eu gostava daquele ritual q lavar as mãos q ela fazia, oração a mesa e familia reunida, na minha não dava para fazer pq minha mãe tinha mais seis filhos, a casa para cuidar, salgadinhos para fazer, costurar para fora, cantina para cuidar enfim....tudo q atrapalhava ela de estabelecer regras de horarios para almoço, janta...ela vivia correndo atras dos meus irmãos pelas ruas procurando leva-los para casa, estudar, médicos e cada um ia para um lado, minha mãe sofria muito e teve uma vida muito dura então eu procurava não dar mais trabalho e vivia na minha, procurando minha independencia.
      Voltando rs..........minha coleguinha ia almoçar....ela pedia p q eu ficasse na porta da cozinha q ela me traria um pratinho com comida, eu ficava toda feliz, iria almoçar com minha melhor amiga.
      Eu não ficava triste não com a situação de ter q almoçar na porta, sempre tia a companhia da Keli, nós sempre almoçavamos juntas, cada um no seu pratinho....ha...vcs não sabem quem era a Keli...digo era pq ela já faleceu.
      Keli era a cachorrinha dela, sempre me fazia companhia nas refeições na porta.
      Novamente falo...não condeno ninguém apenas tenho pena da visão q a sociedade fazia e faz até hoje das pessoas q tem algum tipo de deficiencia, algum tipo de anomalia, algum tipo de alguma coisa q aos olhos dos outros..............SÃO DIFERENTES.
      Quando os pais dela saiam ela me convidava para entrar....nossaaaaaaaaaaaaa eu me sentia Alice no pais das maravilhas rs...........
       A casa dela era linda, o chão brilhava, tudo era muito perfumado, diferente da minha casa q cheirava gordura rs....o quarto dela então...era de uma princesa.
      O quarto da minha casa eram dois, um era dos meus pais e ali dormia eu, minha irmã do meio e minha irmã mais velha, no outro quarto ficavam meus outros três irmãos e era a maior bagunça rs...era beliche e eles faziam guerra de travesseiros, um derrubava o outro da beliche de cima rs.............mas na casa da minha amiga não se podia fazer isso, a irmã dela dormia em outro quarto e tudo era impecável, nada podia sair do lugar nem mesmo os brinquedos dela podia ser tocado, tinham q ficar na prateleira, lembro q tentei passar a mão no vestido de uma linda boneca e ela gritou, ficou palida, disse q não poderia tocar em nada e pediu p q eu saisse imediatamente da casa antes q alguem chegasse mas foi tarde demais rs....
      O carro parou na rua e não demorou muito a mãe dela estava na porta da cozinha, onde estavamos saindo e demos de cara com ela juntamente com a tia dela que ficou indignada com o q via.
      Agarrou ela pelas orelhas e a levou p dentro, eu fiquei de fora só esperando rs....não demorou muito e ela voltou falando q não podia brincar mais e q era p eu ir embora.
      Fiquei triste...ela estava chorando mas eu tinha q ir....subi mais 10 degraus q tinha na parte superior da casa dela e q levava para rua, ali ao lado, havia um pedaço do terreno do meu pai e dava para ver tudo dentro da casa dela, eu vi ela passando pano na cozinha e ouvi a tia dela falando..............
       - Limpa tudo mesmo e bem limpinho, isso é pra vc aprender a não trazer mais essa menina para dentro de casa, já falamos p vc q ela é suja, sabe-se onde ela se arrasta, q doença tem, aquelas roupas toda sujas, rasgadas e as mãos dela então? imundas....toca toda sujeira da rua, sabe-se q microbios tem e o q ela pode deixar aqui dentro.
      Se eu falar para vcs q tudo q a tia dela falou não me atingil vcs acreditam? eu estava com dó da minha coleguinha q apanhou e ainda teve q lavar a casa por minha culpa.
      Essa travessura custou para ela uma semana trancada em casa sem poder brincar na rua com ninguém, fiquei com dó dela e tudo era culpa minha, eu q queria conhecer a casa dela, eu q havia pedido para entrar.
      Meus pais nunca souberam disso e na verdade ninguém soube disso, essa é a primeira x que estou falando o fato.
      O tempo passou e voltamos a brincar mas nunca mais entrei na casa dela porém continuei contanto c a bondade deles, podia almoçar na porta da cozinha com minha coleguinha Keli rs....ha...também podia assistir TV na porta da sala, minha amiga ficava sentada no sofá e eu com a Keli na porta, não podia entrar pq sujaria o carpete caro.
     Fomos crescendo, nos tornando adolescentes, meninas bonitas, vaidosas.
     Um dia chegou um novo morador na viela onde eu morava, a casa da nova familia ficava de frente com a dela mas na viela q eu morava.
     Nunca mais vou esquecer o dia q ele chegou...foi muito divertido e ao mesmo tempo mágico e inesquecivel.
     Esse dia foi especial...sabem p q ? foi o dia que conheci meu primeiro amor.

" MEMÓRIAS "

      Não sei precisar por quantos hospitais passei mas pode acreditar....foram vários e em cada um deles ficou uma marca, uma recordação, uma ferida.
      Os hospitais não foram os únicos que me deixaram feridas não, a falta de humanidade das pessoas também colaboraram muito para uma péssima recordação.
      A luta que minha mãe enfrentou para que eu entrasse na escola não foi brincadeira, tudo pq eu não andava e isso era inaceitável para uma escola na época.
      Depois de várias tentativas minha mãe conseguiu uma vaga pra mim na primeira série mas somente pq a secretária da escola interferil junto a diretora e a convencel a me dar a oportunidade de estudar mas com regras impostas pela diretora.
      Enqto eu estivesse na escola minha mãe também teria que estar para o caso de eu querer ir ao banheiro, comer na hora do recreio e outros emprevistos.
      Minha mãe largou a casa para ficar sentada no pátio da escola durante todo o tempo de aula, meus pais vendiam salgadinhos para viver e a presença da minha mae em casa era imprencindivel mas por amor a mim e dedicação, ela ficou na escola, sem falar dos demais irmãos q ela deixava em casa sozinhos para me acompanhar.
      Com o tempo a direção da escola foi vendo que a situação não era tão dramática assim, minha mãe me pediu p segurar as necessidades biologicas e aprendi a segurar e só fazer qdo voltasse para casa ou antes de sair de casa, na hora do recreio todos saiam para o pátio e eu ficava sozinha na sala comendo minha merenda e vendo pela porta as crianças correndo e brincando no pátio.
      Ninguém da escola vinha me pegar pq tinham medo de me machucar ao pegar no colo e na época eu não tinha cadeira de rodas, não tinha dinheiro para comprar uma mas eu me acostumei a situação, o q eu queria mesmo era estudar e estava ali.
      Quando saia da escola, era só o tempo de trocar de roupa e ir para a rua brincar, eu aproveitei minha infancia, disso não posso reclamar.